domingo, 8 de fevereiro de 2026

A NINFA QUE AJUDAVA AS PLANTAS


In "Contos para a Lúcia"
O pai da Lúcia nasceu no Libolo. Desde pequeno aprendeu a plantar e a cuidar de árvores e hortas. Mesmo vivendo na cidade, criou um pomar cheio de vida, com jaqueiras, mangueiras, abacateiros, mamoeiros, goiabeiras, romanzeiras, amoreiras, videiras, oliveiras, cajueiros, bananeiras, limoeiros, laranjeiras, tangerineiras, nespereiras, mandioqueiras, quiabeiros e milheiros.
Havia também uma longaneira, árvore que ele gostava muito de ver crescer.
Um dia, enquanto fazia um sulco para plantar uma ameixeira, encontrou uma pequena criatura branca a mexer-se na terra. Era uma lagarta robusta, que tentou esconder-se, mas o meu pai apanhou-a com cuidado. Assustada, ela falou:
— Senhor, não me faça mal. Eu sou uma ninfa de cigarra. Vivo no subsolo durante dezassete anos, mudando de forma várias vezes, até me transformar numa cigarra adulta. Parecemos animais diferentes em cada fase da vida.
O pai da Lúcia, que em criança caçava cigarras, ficou admirado e perguntou:
— Como é que você vive debaixo da terra, se a cigarra é um insecto voador e canta alto quando chega o sol de Abril?
A ninfa, agora mais calma, explicou:
— Aqui no subsolo, enquanto cresço, o meu trabalho é abrir pequenos túneis na terra. Esses túneis deixam passar o ar e a água, ajudando as raízes das plantas a respirar e a beber. Assim, as árvores crescem fortes e dão frutos para alimentar as pessoas.
O pai da Lúcia ouviu tudo com atenção. Depois, devolveu a ninfa ao solo, cobriu-a com cuidado, regou a terra e plantou a ameixeira.
A árvore cresceu depressa e, em menos de um ano, já dava ameixas doces e brilhantes.

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