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quinta-feira, 1 de setembro de 2022
MORDENDO O CINTO DO PAPÁ
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
De Saulhimbo a Saurimo: APRESENTAÇÃO NA UEA
Caros confrades (escritores),
Parentes e amigos do Dr. Domingos
Kajama,
Minhas senhoras e meus senhores!
Façamos uma vênia especial a
todos meninos presentes.
Permitam-me agradecer ao autor, Dr.
Domingos Kajama, por me ter confiado a missão de falar aos ilustres presentes
sobre o seu livro.
Até hoje ainda me pergunto, por que me terá recaído essa missão,
existindo nessa imensa floresta de literatos mentes conhecedoras e criativas
que dão vida a penas escorreitas (Soberano Kanyanga é ainda uma criança a
tentar engatinhar).
Quando em Maio deste ano, o Dr.
Kajama me contactou para prefaciar o livro que temos em presença, dando-me nada mais do que duas semanas, fiz-lhe
a seguinte pergunta:
- Porquê eu?
- És tu porque gostas da Lunda,
teus escritos trazem a Lunda e és, por essa razão, um mwana Kacokwe!
- Ewa tata, nguna sakwila cinji. Yami nguli kacokwe! – Respondi,
aceitando a missão.
À medida que fui lendo, fomos trocando
impressões, alertando para pequenas gralhas no texto inicial, ou discutindo,
por exemplo, por que razão apresentava o título “O diamante e suas
consequências”?
Quando o título evoluiu para “DE
SAULIMBO A SAURIMO”, apresentava um acento grave sobre A, o que nos levou a novo
debate até à e retirada do sinal diacrítico. Também analisamos por que não escrevia segundo o que dita a Resolução 3/87 de 23 de Maio,
do Conselho de Ministros, sobre o alfabeto da Ucokwe e respectivas regras de
transcrição (só para particularizar essa língua).
E, tal como eu fui anotando os
conhecimentos que o livro acrescentava aos meus dez anos intensos de vida e
trabalho na Lunda, o Dr. Kajama também foi tomando notas e respondendo ao que
lhe colocava. Encontrei em Kajama um pai, com muito para ensinar e aberto a
somar aos seus largos conhecimentos o que é necessário agregar.
O livro está estruturado em dez
capítulos em que se aborda, nomeadamente:
1- O
percurso dos colonizadores portugueses, a ocupação do império Lunda e
denominação da antiga sede do Distrito da Lunda;
2- A vida
sociocultural, económica e política dos habitantes do antigo Império Lunda;
3- A chegada
dos portugueses a Saulhimbo e impacto na vida política, económica e
sociocultural dos nativos;
4- A
descoberta do diamante e suas consequências;
5- Contribuição
da Diamang no desenvolvimento económico e sociocultural do então Distrito da
Lunda;
6- A elevação
da vila Henrique de Carvalho à categoria de cidade;
7- O papel
determinante dos Movimentos de Libertação Nacional;
8- A
independência de Angola e as transformações políticas, económicas e
socioculturais;
9- Notas
Conclusivas
10-
Provérbios, parábolas e anedotário (Cokwe).
Em
todo o livro, Domingos Kajama pregoa o despertar do homem do Leste angolano,
cuja aculturação, subjugação psico-social e política do então colonizador
adormeceu o seu “eu”. Esse livro é um despertador que o leva ao passado
histórico (pré-colonial), recordando-lhe a essência angolana e africana do povo
que habita a região da Lunda. Em todas as páginas do “De
Saulhimbo a Saurimo: Contributos para a história social, cultural e política da
Lunda”, Kajama parece falar em vez de escrever, ou
melhor, escreve como se estivesse a contar as suas memórias/vivências: o que
ouviu, o que leu, o que viveu e o que pensa, apresentando-nos um texto
escorreito e convidativo, repleto de imagens, sons e ruídos (das águas, folhas
e do vento) que também nos trazem mensagens.
Bem, não falarei mais sobre o
prefácio que muitos já terão lido e outros vão ler. Vou reforçar o pedido que
tenho feito aos mais velhos: registem os
vossos conhecimentos, as vossas experiências, tirem da cabeça e passem ao
papel. Mesmo quando a mão não obedece, há sempre um sobrinho ou neto para
gravar e converter em texto. O resto vem por arrasto.
Quanto a isso, o Dr. Domingos Kajama
fez, e com a mestria e qualidade requeridas, a sua parte. Cumpriu com um dever de homem do seu tempo e
de sua dimensão política e intelectual. Muito obrigado, Dr. Kajama, e parabéns!
É, em suma,
um livro que nos faz viajar no espaço e no tempo, apontando-nos caminhos lestos
para um reencontro com a nossa identidade.
Muito obrigado!
Soberano Kanyanga, UEA, 04.08.2022
sexta-feira, 1 de julho de 2022
O BÊBADO QUE NÃO BEBEU
quarta-feira, 1 de junho de 2022
O KISONGO DAQUELE TEMPO
O Kisongo daquele tempo era um conglomerado de aldeias e aldeolas familiares que, juntas, chegavam a 50 mil pessoas.
quarta-feira, 25 de maio de 2022
De Saulhimbo a Saurimo: Prefácio
Quão bom é ser leitor primário!
Sabe
o autor por que, numa imensa floresta de árvores preciosas e frondosas, como
aquelas que a Lunda tem e conserva, escolheu a mais fina e aparentemente
frágil. Se calhar, a escolha seja um presente, tal como enuncia numa das páginas
finais desse livro -Wakwaha cawana kexi kusopha nenyi! (Não se deve discutir o
valor de algo recebido de graça!)
E mais. O autor também ensina (pg. 131) que Wazeya mwe waya nyi nguali (o humilde
leva a perdiz). Por isso aceitei o desafio de percorrer as páginas deste livro
e mostrar, de forma resumida e convidativa, a riqueza textual e beleza estética
que o mesmo encerra.
O primeiro contacto com a
capa do presente livro converteu-se num espavento. Isso mesmo. A versão inicial
de título apontava para algo relacionado a “Diamante
e suas consequências”.
- Quer o Dr. Domingos Kajama
que eu prefacie um livro sobre diamantes, mesmo sabendo que não sou perito no
assunto, embora vinculado à indústria? - Não o disse, apesar de pensado.
Perscrutei a centena e meia
de páginas e fui levado, numa leitura sem paragens, até ao fim, mergulhando na
imensidão da Lunda, percorrendo seus caminhos e atalhos, suas ribeiras e correntezas
como as do Cassai, Tchicapa e Luachimo ou emprestando o ouvido às vozes ímpares
da ngoma contadora de história e
estórias.
A história geral ou total
de um povo ou região é, para mim, o somatório e síntese de vários relatos de
acontecimentos importantes que marcam o povo de um espaço geográfico. Uma
história é (ainda para mim) um constructo (inacabado), à medida que o recurso
aos distintos métodos de estudo, ciências auxiliares e métodos de (re)descoberta
de verdades importantes faz da Ciência Histórica um produto sempre por
concluir.
Apesar
de região já bastante etnografada e historiografada, o Leste de Angola é e
continuará a ser, por mais tempo ainda, um study
case, à medida que os historiadores se forem servindo de documentos
textuais (cartas, crônicas, ofícios, diários, relatos), vestígios
arqueológicos (objectos de cerâmica, construções, estátuas), representações
artísticas/pictóricas (quadros, pinturas, fotos) ou registos orais (testemunhos
pessoais transmitidos oralmente), entre outros.
Um dos vários aspectos
relevantes, e que você poderá conferir, é o cuidado que Domingos Kajama tem com
a língua, enquanto instrumento de trabalho e de comunicação. Kajama diz “conhecer e reconhecer a norma adoptada pelo
Estado angolano” mas pretendeu “optar
pela representação gráfica a que as pessoas estão mais habituadas” (pg.
14). E fê-lo bem, na medida em que o leitor precisa de perceber a narrativa à
primeira leitura.
Outra abordagem ousada e
arejada tem a ver com a necessidade de serem valorizados e (eventualmente) repostos
os topónimos originais, atendendo ao seu sentido etimológico e semântico nas
línguas de que são originários. Mwangeji, Lwavur, Sa Ulhimbo e Soacamombo são
exemplos do muito que você vai aprender ou se recordar ao terminar a leitura deste
“De Saulhimbo a Saurimo: Contributos
para a história social, cultural e política da Lunda” que traz também
respostas às perguntas que você terá já várias vezes colocado ou ouvido de
outrem:
- Quantas vezes ouviu
falar que “o povo Lunda não gosta de trabalhar”?
- Sabe quem trabalha e
sempre trabalhou na extracção manual e mecanizada de diamantes?
- Que relação há entre
Saurimo e a região portuguesa de Trás-Os-Montes?
- Focando-se na luta dos
contrários, já pensou nas vantagens e desvantagens da descoberta e exploração
de diamantes na Lunda?
O livro que Domingos
Kajama nos apresenta é uma combinação de “oratura” (fonte primária para a
historiografia africana) e literatura, baseada em documentos escritos.
Em “De Saulhimbo a Saurimo: Contributos para a história social, cultural e
política da Lunda”, Kajama traz-nos, para além de suas vivências de uma
vida inteira na Lunda e ao serviço da Lunda, aspectos que nos levam à
compreensão etnográfica, geográfica, jurídica e política da região que nos
mostra. O “estatuto dos vizinhos” (pg. 50) ou as integrações e disjunções entre
a Lunda e Malange é exemplo de narrativa histórico-política que vale apenas
ler, conhecer e compreender.
Mas Domingos Kajama
escreve mais: pregoa, neste livro, o despertar do homem do Leste angolano, cuja
aculturação, subjugação psico-social e política do então colonizador adormeceu
o seu “eu”. O livro em suas mãos é um despertador que o leva ao passado
histórico (pré-colonial), recordando-lhe a essência angolana e africana do povo
e região em causa. E Kajama diz também que “…
nem tudo foi mau. A Diamang procurou dedicar a sua atenção em conhecer,
divulgar e preservar os valores culturais dos povos” do Leste (pg.92).
Num
exercício raro, em que se combina a ciência moderna e a secular, porém sempre
actual, o autor fecha o livro com a representação literária da oralidade,
trazendo adágios do Leste de Angola que encerram conselhos, e alertas de vária
índole e de utilidade transversal. Mais do que esses apontamentos, o meu
convite é se encante no brilho deste “De
Saulhimbo a Saurimo: Contributos para a história social, cultural e política da
Lunda”, e percorra o livro de capa a capa, pois como nos lembra na página
143,“Kexi kwiva nyixenyi kumona!” (quem
não se documenta/aconselha limita-se a ver/acatar o que lhe acontece ou dizem).
Quem conhece Domingos Kajama encontrará ainda, neste
livro, um dos traços do autor: um falar vagaroso, com pausas, e assertivo.
Aliás, em todas as páginas do “De Saulhimbo a Saurimo: Contributos para a história social, cultural e política da Lunda”, Domingos Kajama parece falar em vez de escrever, ou melhor, escreve como se estivesse a contar as suas memórias/vivências: o que ouviu, o que leu, o que viveu e o que pensa, apresentando-nos um texto escorreito e convidativo, repleto de imagens, sons e ruídos (das águas, folhas e do vento) que também nos trazem mensagens.
É um livro que nos faz viajar no espaço e no tempo, apontando-nos caminhos lestos para um reencontro com a nossa identidade...
Boa leitura!
Soberano Kanyanga, Maio 2022.
quinta-feira, 5 de maio de 2022
UM "CARAPAU" NA CONSOLA
Era um dia de distribuição de peixe "fresco" que, na verdade, era congelado e raro em Kalulu. O ano, que quase se perde na memória, era 1988. Para quem fosse em visita, a vila estava cheia e agitada. Para nós era apenas "dia do peixe fresco" que faria diferença no almoço e na janta durante a semana. A kizaka, a kabwenya e outros condutos vezeiros estariam, por dias, em gozo de férias, dando lugar ao peixe "cozinhado", grelhado e assado, até acabar, pois poucos tinham meios de conservação.
segunda-feira, 18 de abril de 2022
MARROCOS, O SAHARA E A UNIÃO

sábado, 5 de março de 2022
MEU 1° DISCURSO NA UEA
Ilustres Confrades,
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022
NUM "MATONGÊ DAS ARÁBIAS
Que o indiano é comerciante e emigrante por excelência, você, eventualmente, já sabia. Que os "zazás" não se lhes ficam atrás na kandonga e na exportação da sua cultura alimentar para aonde quer que estejam, também é líquido. A novidade deve ser o "casamento" entre o comerciante indiano e a tia congolaise que confecciona e vende fufu, sakamadeso e makayabu.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
VIAGEM DE SONHO
Realizada num 15 de Setembro, já leva século, quase. Não existia ainda a EN120 ou, para ser mais preciso, sobre o largo e caudaloso Kwanza, o novo atalho, desenhado entre o Alto Dondo e o Fortim da Kibala, não possuía ainda travessia. Pretendia-se encurtar a distância entre a crescente capital e a florescente Nova Lisboa de então. Ao pôr-do-Sol emergia a capital do novo distrito, Benguela Velha.

