quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

OS PASSARINHOS AZUIS E OS RECADOS PARA A LÚCIA



Sai dia, entra dia. Seguem‑se semanas e meses. Já vamos no sétimo ano, o mesmo número de anos que a Lúcia tem.

Todas as manhãs, por volta das cinco horas, o chilreio dos passarinhos azuis anuncia o começo do dia. O casal Azulão e Estrelinha vive numa pequena toca na parede da nossa casa, onde construiu um ninho aconchegante.
Atrás do muro do quintal ergue‑se um alto eucalipto. É lá que os dois costumam apanhar sol e brincar em voos curtos, do eucalipto ao ninho e do ninho à videira que se estende sobre o quintal.
— Piô, piô, piô! — canta Azulão, como quem diz:
“Lúcia, chegou a hora de acordar!”
Logo depois, Estrelinha voa até à janela do banheiro e chilreia ainda mais alto:
— Pium, pium, pium!
“Já lavaste a boca? Misturaste a água fria e morna? Tens o champô e o sabão? Vai, apressa‑te! O matabicho está na mesa e o motorista do colégio já vem a caminho.”
Agora, Azulão e Estrelinha têm dois filhotes: Luzinha e Rufino. Estão a aprender a piar e a voar. Luzinha observa tudo com olhos curiosos, enquanto Rufino abre o bico para receber o pequeno insecto que Estrelinha lhe traz.
E assim, todos os dias, o canto dos pássaros azuis acompanha a rotina da menina Lúcia, lembrando‑lhe que a vida começa com alegria, cuidado e amor.
Por: Soberano Kanyanga [in Contos para a Lúcia]