In "Contos para a Lúcia"
Era sábado do mês de Dezembro e começara a chover em Luanda.
Na horta cresciam ervas daninhas que dificultavam o desenvolvimento das herbáceas, como a hortelã, o gengibre, os morangueiros e as couves.
O senhor Luciano decidiu aproveitar a terra húmida para limpar o canteiro.
Ajoelhou-se, puxou uma erva daninha pela raiz e, para sua surpresa, veio agarrada a ela uma minhoca enrolada, muito atrapalhada.
Assim que tocou o chão, tentou fugir, mas um grupo de formigas aproximou-se rapidamente.
— Ai, ai, ai! Socorro! — gritou a minhoca, contorcendo-se. — Eu não quero virar almoço de ninguém!
As formigas responderam em coro:
— Deixa-nos passar, senhor Luciano! Encontrámos o nosso lanche!
O senhor Luciano colocou a mão no chão, protegendo a minhoca.
— Calma, meninas — disse ele às formigas. — Hoje não há lanche aqui. Procurem noutra parte da horta.
As formigas resmungaram baixinho, mas acabaram por seguir caminho.
A minhoca, ainda a tremer, ergueu a cabeça pequenina e disse:
— Obrigada, senhor! Eu sou a Lila, a minhoca mais trabalhadora deste quintal. Não sabia que arrancar ervas daninhas era tão perigoso para mim.
O senhor Luciano sorriu.
— Desculpa, Lila. Não te vi ali. Mas diz-me: o que fazes tu de tão importante debaixo da terra?
A minhoca encheu-se de orgulho e explicou:
— Eu vivo no subsolo quase toda a minha vida. A minha missão é cavar túneis, misturar a terra, deixá-la fofinha e cheia de ar. Também transformo folhas velhas em alimento para o solo. Assim, as raízes das plantas crescem fortes e conseguem beber água com facilidade.
— Então és tu que ajudas a minha horta a ficar tão bonita? — perguntou o senhor Luciano.
— Eu e as minhas irmãs — respondeu Lila, abanando o corpo como quem faz uma vénia. — Sem minhocas, a terra fica dura e cansada. Com minhocas, ela fica viva e feliz.
O senhor Luciano colocou-a na palma da mão e disse:
— Obrigado pelo teu trabalho, Lila. Vou devolver-te ao teu lugar.
Com cuidado, abriu um pequeno espaço na terra húmida e pousou a minhoca lá dentro. Lila mergulhou no solo e despediu-se:
— Até logo, senhor Luciano! Vou continuar a trabalhar para que as suas plantas cresçam ainda mais bonitas!
O senhor Luciano levantou-se, limpou as mãos e continuou a arrancar as ervas daninhas.
Lila, lá em baixo, retomou os seus túneis.
E assim, cada um seguiu com as suas tarefas diárias, ajudando a horta a crescer com mais vigor.
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